Quem é professor já deve ter ouvido a seguinte pergunta:
Professor,como é que eu ia pensar nisso?
As respostas do mestre podem variar desde uma simples piadinha
até uma mais séria que possa,de fato,orientar o estudante.
Vou ficar com a segunda opção.
Se pudesse resumir a resposta a uma só palavra,ela seria: Vivência.

Pois bem,neste contexto,vivência significa várias coisas: atenção,
dedicação,trabalho disciplinado,esforço concentrado e,por vezes,repetição
de exercícios do mesmo tipo até que os cálculos e contas básicas se tornem
naturais e libertem o aprendiz para a busca de estratégias por meio das quais
ele possa resolver um problema mais elaborado. Vejamos como tudo deveria funcionar.

Em Geometria,depois de explicar o teorema de Pitágoras,que pode ser aplicado quando um
triângulo tem um ângulo de 90°,o professor apresenta ao longo de algumas aulas vários
triângulos com ângulos de 90°,para que o aluno simplesmente aplique a famosa fórmula.
Porém,chega o dia em que a figura não tem nem é colorida mas,para a alegria de todos,
tem ângulo reto.

É evidente para muitos(os que estudaram)que só precisaríamos inventar
alguns valores coerentes para as medidas dos lados AB,BC,CD e perguntar
a medida do lado AD. Basta ligar os pontos B e D para termos dois triângulos retos.

Mas o professor,esse incansável trabalhador e elaborador de problemas,muda a
posição dos ângulos retos e continua a perguntar o valor de x.
O que fazer?
Se traçarmos a diagonal AC ou a diagonal BD, obtemos um triângulo retângulo, que
fica com dois lados sem medida e o Pitágoras não nos salvará.
O estudante parece ter chegado a uma encruzilhada.
A saída é mostrada:
Traça-se a altura do trapézio a partir do vértice C obtendo-se o triângulo BCE.
Ou seja, recai-se em um dos primeiros exercícios apresentados pelo professor: um
triângulo que tem uma hipotenusa de 10 cm, um cateto de 8 cm e do qual deseja-se
calcular a medida do outro lado,que mede x.

O professor tem que resistir à tentação de contar tudo de uma vez para o estudante
e também tem que saber estimula-lo a não desistir, isto é: Assoviar e chupar cana.
Resolver um problema como esse,pode ser a fagulha que vai despertar a vontade
do estudante de tentar acertar por conta própria os próximos problemas.
Pode ser a chama que o faça um dia ficar fascinado pelas descobertas.

Pontos a serem destacados:

1- Não se pode menosprezar exercício algum,principalmente quando se está
começando um assunto. Por mais básico que o problema possa parecer,ele é,
no mínimo, treino,alicerce e constituinte de problemas mais elaborados.

2- Ler texto de matemática não é tarefa fácil e não se faz passivamente: é preciso
lápis,papel,borracha e vontade.

3- O professor,mais do que ninguém,precisa ter vivência de sobra para poder fazer
o aluno se envolver em uma sequência coerente e bem arranjada de exercícios.

4- O estudante tem que ter afinco. O melhor professor do mundo nada poderá
se o aluno recusar-se a trabalhar.

5- Se o aluno “pulou” todos os exercícios anteriores,vai imaginar que a solução
dos problemas mais elaborados é ,ou,foi “mágica”. E aí vai enunciar a pergunta
do início deste texto: Professor,como é que eu ia pensar nisso?

A faculdade de descobrir as linhas escondidas em um problema que encaminha à solução
não é um “dom” e nem tampouco ocorrerá do dia pra noite,só por vontade nossa.
É todo um caminho trilhado com esforço e coragem,às vezes sob um sol escaldante,
que pode conduzir a isso.É o fruto de muitos dias,meses e anos de estudo!

Então,meu caro aluno,como você iria pensar nisso?
Vivência,meu caro,vivência.
Só ela pode lhe dar a necessária capacidade de discernimento.

Viva!

Carlos N C Oliveira
Coordenador de matemática
Colégio Bandeirantes

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