Duas coisas estão mudando o mundo:dados e sensores. Um exemplo
são os smatphones. Eles produzem todos os dias quantidades enormes
de informações sobre seus donos e o meio em que estão inseridos.
E isso é só o começo.

Um número crescente de empresas está acumulando volumes imensos de dados.
Eles são um recurso econômico e estratégico. Muito do desenvolvimento futuro
dependerá de quem coleta,armazena e processa e dissemina esses dados.
É neste contexto que surge uma nova conversa e das boas: a filantropia de dados.
Há gente pregando (inclusive a ONU) que parte da responsabilidade social das empresas de hoje
consiste em compartilhar seus dados.

Por exemplo,empresas que trabalham com imagens digitais produzidas por satélites
assinaram em 1999 um protocolo para ajudar países afetados por desastres naturais.
O sistema já foi ativado´inclusive no Brasil para monitorar as enchentes no Rio Grande do Sul
compartilhando dados com o Inpe. Foi usado também na Argélia para combater
uma nuvem de gafanhotos que ameaçava a agricultura local.

A filantropia de dados pode mudar também a vida nas cidades.Por exemplo
o Waze,aplicativo de monitoramento de trânsito,começou a compartilhar
seus dados agregados em tempo real na página Mobilidade Urbana.
Com isso o monitoramento do trânsito por helicóptero ficou obsoleto,
vencido pelos smartphones e por um aplicativo esperto de celular.

Hoje essas iniciativas são voluntárias. Mas vai chegar o momento em que será
necessário discutir quando as empresas terão o dever de compartilhar dados,
por causa de sua relevância pública.

Outro ponto espinhoso é a privacidade. Um dos freios à filantropia de dados
é o temor das empresas de violar direitos. Mas este é um problema
com caminho evidente para ser resolvido.

A lei deve prever expressamente que dados agregados e anonimizados
não devem ser considerados como “dados pessoais”, podendo assim ser
compartilhados. Boa dica para o Brasil.

Por tudo isso,a filantropia de dados é a nova fronteira entre
setor privado e interesse público. Ela pode mudar nossas vidas
tão rápido quanto tornou obsoletos os helicópteros.

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