Por Daniel Leite
Da Folha de Pernambuco

Faltando menos de um ano para as eleições municipais, a disputa pelo comando da Prefeitura de Gravatá gera uma corrida interna dentro do PSB. Envolvido em denúncias de corrupção e acusado de adotar posturas autoritárias, o prefeito Bruno Martiniano (PTB) anda com a popularidade em baixa, e enfrenta resistência para garantir sua reeleição. Apesar de ter apoiado o governador Paulo Câmara (PSB), em 2014, o gestor se vê ameaçado pela movimentação dos socialistas, que trabalham para lançar candidato próprio. Pelo menos quatro pretendentes se colocam aptos a assumir a cadeira. Entre eles, o deputado estadual Waldemar Borges, que é ventilado como favorito.

A querela pelo comando da gestão é marcada por ataques políticos e ações judiciais. Suspeito de enriquecimento ilícito, o prefeito Bruno Martiniano enfrenta processos judiciais, abertos desde 2014, que envolvem utilização de “laranjas” para aquisição de lotes de terreno em Gravatá e outros bens. Pelo fato de ter apoiado o PSB nas últimas eleições, ele pediu desfiliação do PTB, que lançou o senador Armando Monteiro para governador. Mesmo assim, o gestor não conta com a fidelidade dos socialistas, que não poupam críticas à sua postura no comando da cidade.

Diante deste “vácuo”, o ex-prefeito Ozano Brito (PSB) aspira ser indicado pelo partido a encarar o páreo. “Nós pretendemos lançar candidato próprio. Não pude disputar a reeleição em 2012 porque perdi uma filha nas vésperas do pleito. Mas, agora, meu nome está à disposição. Marquei de me encontrar com o deputado Waldemar Borges, esta semana, para discutir estas questões”, explicou.

Nos bastidores do PSB, o nome de Ozano desponta como possível candidato a vice de Waldemar Borges. Escolhido para presidir o PSB no município, em março deste ano, ele fez questão de afirmar que a atual administração tem sido “desastrosa”. “Estou muito preocupado com os rumos da prefeitura. Hoje, o prefeito tem uma rejeição enorme. Não trata bem as pessoas. Também tem denúncias graves contra ele. Se houvesse celeridade na Justiça, ele poderia até ser impedido de concorrer à reeleição”, disparou.

Questionado sobre as especulações em torno de sua indicação, Waldemar Borges admitiu que o cenário exige uma decisão enérgica. “De fato, há um esgotamento das forças tradicionais. A sociedade pede algo diferente. De acordo com as conversas, o nome que vai preencher esta demanda pode ser o meu. Não me negaria a colocar o meu nome em discussão, mas acho que ainda é cedo para isso”, justificou.

Outro socialista que está de olho na cadeira é o atual vice-prefeito de Gravatá, Rafael Prequé (PSB), que rompeu com Martiniano no ano passado. “Me afastei por conta do tratamento dele com as pessoas. Ele é truculento, não escuta ninguém e acha que está acima da lei e da Justiça. Existem provas de que ele é corrupto. Falta apenas a Justiça se manifestar”, disse.

Prequé acredita ter legitimidade para ser escolhido pelo partido, apesar de Waldemar Borges já se colocar como pré-candidato. “O domicílio eleitoral dele não em Gravatá. Eu sou filiado ao PSB e fui o candidato a deputado mais votado da cidade. Estou na luta, tentando viabilizar a minha candidatura com as lideranças do município”, defendeu o vice-prefeito, que é cunhado do deputado Joaquim Lyra e filho do vereador Luiz Prequé, um dos que denunciaram o prefeito à Justiça.

Além dele, o vereador Fernando Rezende (PSB) também aparece como postulante. Ex-secretário do prefeito Bruno Martiniano, de quem foi fiel escudeiro durante anos, também rompeu com a base em fevereiro deste ano, pelos mesmo motivos de seus correligionários.

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