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Grandes jornais do mundo anunciam que vão publicar notícias no Facebook.
Isso confirma que a rede social mais popular do planeta está se convertendo
também em “Infraestrutura”para a disseminação de conteúdos.
A situação é parecida com a que aconteceu com a TV acabo nos anos 1970 nos EUA.

Pouco depois a maré mudou.Várias companhias começaram a produzir conteúdo para o cabo,
que passou então a cobrar para carregar conteúdos.Um exemplo é a MTV nos anos de 1980.
O objetivo era convencer as TVs por assinatura a transmitir o sinal da emissora musical.

Curiosamente,dias antes do anúncio do pacto entre os jornais e o Facebook,
o site havia publicado um estudo sobre o funcionamento do algoritmo que controla
o que cada usuário vê em seu feed de notícias. O nome do documento é: Exposição
a Notícias e Opiniões Ideologicamente Diversas no Facebook.

O estudo tem várias limitações metodológicas,mas a conclusão é interessante.
Ele apresenta evidências de que as fórmulas do site nos mostram mais notícias
que refletem aquilo que pensamos e reduz a nossa exposição ao que discordamos.

Se alguém é a favor da retirada do PONTILHÃO vai ver mais opiniões similares à sua
do que contrárias.É um erro crasso achar que o que vemos na “timeline” do Face representa a opinião pública.
Essa filtragem trás problemas. Quem se expõe apenas ao que pensa fica ainda mais convencidos de suas próprias ideias. E se torne avesso a posições contrárias.

A questão é se esse viés seria culpa do algoritmo em si ou dos próprios usuários,
que,por meio dos seus “Likes” ensinariam a rede social a privilegiar alguns conteúdos.
Acadêmicos importantes apelidaram o estudo de “its not our fault”(não é nossa culpa),
dizendo que a rede social estaria usando o documento para afirmar que a culpa do viés
seria mais dos usuários.

O fato é que hoje 30% das pessoas nos EUA leem notícias apenas pelo Facebook.
Com isso faz sentido pensar sobre a importância de uma diversidade editorial.
Algoritmos vieram para ficar. Mas não podem se tornar filtro para tudo.
Quanto mais pluralidade de editoriais,humanas e digitais,melhor para o público.

No caso de um jornal pode-se discordar de sua linha editorial,mas ao menos
ela é um dado objetivo e em geral visível. No caso de algoritmos,a linha é invisível.
Só que ela existe. Algoritmos não são neutros,como mostra o estudo recém-publicado.
Sempre que você não gostar daquilo que leu no jornal,saiba que isso é bom para você.
Novo GN é diferente. Leia.

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